sábado, 16 de março de 2013

A vida num trem

Pegar um trem nunca foi tão divertido como hoje. Sim, porque agora parece que, como ele tem ar-condicionado, todas as pessoas resolveram ir de trem. É aí que a graça começa. Mas antes de você rir, digamos que você "sofre" um pouquinho.
Pra começar, eu ando 20mins até um metrô mais próximo do meu local de estudo. Até nenhuma novidade para qualquer cidadão de uma grande metrópole como a minha. Depois, após correr pra chegar no metrô porque suas portas se fecham em 20 segundos, eu chego numa das maiores estações: Barra Funda. É, lá todo mundo se afunda mesmo! Primeiro porque as pessoas correm para subir de ESCADA ROLANTE (é muito exaustivo subir nas escadas normais?), o que é uma vantagem para quem sobe de escada "não-rolante" (bem, aí eu agradeço a quem vai de escada rolante porque eu subo mais rápido). Segundo porque as mesmas pessoas correm para pegar o trem; e o problema é que aquele mundo de gente corre para pegar o mesmo trem que eu. Aí eu quero morrer, ainda mais porque se esperar o próximo trem, será dali a 15mins que ele chegará. Então, eu resolvo pegar a minha armadura e enfrentar o dragão: subirei nesse trem mesmo.
Até o trem chegar, passo por uma provação: a de sair correndo. Sim, porque a medida que o tempo passa, mais e mais gente chega e o ar que passava por ali começa a se esgotar. "Senhor, o que será de mim daqui a 5min?". A minha prece sempre foi: "que o trem esteja vazio, que o trem esteja vazio". Mas nunca deu certo.
Ao chegar o trem, as pessoas pensam que ele vai abrir e fechar a porta em 1segundo porque elas me esmagam para entrar nele. Eu tenho vontade de gritar: "Calma, eu preciso de ar!". Mas ninguém nunca me escuta mentalmente.
Depois de entrar no trem, a baixinha que vos fala e que vos admite ser baixinha, como não alcança a barra de ferro (que serve para se segurar no centro do trem), tem que se segurar na porta do vagão.
Quando a porta se fecha, vem o ar-condicionado com toda a sua força, literalmente. Literalmente porque vem também aquele perfume de suor misturado com calor e com o frio do ar. Nessas horas eu seguro a respiração, pelo menos no começo, porque senão vomito.
Após tudo isso, eu penso: "pronto, agora acabou toda essa loucura e poderei descansar". Aí vem aquela voizinha de Deus e me diz: "você que pensa". Lá vem os vendedores e pregadores do Evangelho.
Nada contra essas pessoas, mas será que não dá pra, pelo menos, treinar a voz um pouquinho? Aquelas vozes roucas me dão nos nervos, eu tenho vontade de pigarrear por elas.
E os pregadores? Além de terem a voz rouca, ainda gritam como se você fosse surdo. "Ei, eu escuto perfeitamente,viu?".Sabe o que é o pior? Eles não sabem que você sabe que Deus existe. Eu sei que Deus existe e não preciso ficar ouvindo a sua interpretação  da Bíblia em horário de almoço! Sabe que Deus necessita de um local melhor do que o trem para ser ouvido? Nem Jesus fez isso! Ele nunca gritou pra ninguém!
Sim, eu fico estressada nessa hora e quero mandar todo mundo para aquele lugar. Mas a educação impede que eu fale alto.
Então eu espero, ansiosamente, com os braços e pés com uma cãimbra de matar por conta dos livros e uma necessidade imensa de tomar banho e comer, até chegar ao meu destino (quase 10 estações).
É aí que a felicidade plena chega: o carro da minha mãe! Sabe quando se vê um "oásis"? Essa é a minha sensação.
Portanto, eu gostaria de deixar uma grande e imensa sorte a todos vocês que pegam trem, metrô e/ou ônibus (que é uma oooutra história que ficará para um próximo post). Vão com calma e se divirtam! Porque no fim, depois de tanto stress, vem as risadas. Nada melhor do que rir na vida, não?

  

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